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Author Archive for Raquel Costa

Um novo paradigma para educação

Quem navegou no UoD e no blog da HSM viu o meu post sobre a entrevista que o Henry Jinking deu ao programa Milênio da GNT. Entre tantas outras coisas interessantes, ele falou sobre educação, crianças e o mundo colaborativo. Em especial sobre a necessidade das escolas e dos educadores incentivarem a produção coletiva ao invés do aprendizado autônomo.

Após uma rápida comparação entre o homem renascentista do século XV e o homem convergente do século XI, Jinking foi categórico ao dizer que nos dias de hoje, com a explosão da informação, é impossível saber de tudo.

Antigamente, a premissa era que um único indivíduo podia dominar todos os campos do conhecimento. Michelangelo, Da Vinci ou Thomas Jefferson, os grandes intelectuais da História, conseguiram dominar todo o saber de uma sociedade.

Entretanto, diz ele, estamos vivendo em tempos de inteligência coletiva, num mundo onde ninguém sabe tudo. Todos sabem algumas coisas. E um membro da comunidade tem ao seu dispor o mesmo saber que a comunidade como um todo, imediatamente, a todo instante.

Portanto, as escolas deveriam considerar o “criar coletivamente” e o “compartilhar conhecimento” como as novas habilidades necessárias para se viver em uma sociedade em rede. E ao invés de incentivar o aprendizado autônomo, deveriam ensinar as crianças a participarem da produção coletiva e a compartilharem conhecimentos (a “cola” não é tão ruim assim), mostrar que a experiência alheia ajuda no aprendizado, e fazer com que elas percebam o poder que tem por serem autoridades em algum assunto (putz, adoro isso, principalmente no ponto de vista da auto estima).

O fato é que as escolas estão longe dessa nova realidade, salvo alguns poucos casos. Seus currículos são a maior prova dessa falta de visão. Contudo, esse ambiente não pode persistir por muito tempo, e sem dúvida o novo modelo educacional precisa levar em conta o ser coletivo e colaborativo.

Sendo assim, não esqueça de levantar essa lebre nas reuniões de pais da escola dos seus filhos,  e sempre que possível não deixe de considerar essas questões na hora de escolher uma escola para eles.

Vestibular e decoreba “standalone”, nunca mais! :-)

E sinceramente, quem nos dias de hoje precisa disso?

Educação: Quem inspira você?

Outro dia a updater Adriana escreveu um lindo post para contar como sua mãe e alguns professores mudaram seus paradigmas, e a sua vida. Na ocasião, ela chamava a atenção para a importância dos educadores - mais do que as instituições de ensino e a tecnologia - na formação das crianças, e de como suas palavras de incentivo, gestos e exemplos são capazes de influenciar e mudar a vida delas para sempre.

Hoje, passeando na web, achei outras provas de como são pessoas que transformam pessoas. Definitivamente! Podia até mencionar as circunstâncias (que muitas vezes estamos inseridos), mas continuo com as pessoas porque são elas que criam as oportunidades. Enjoy!

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Janela de Oportunidades - Menor é Melhor

Arte/Folha online

Este final de semana encontrei um interessante artigo escrito por Antonio Goes para a Folha de S.Paulo.  Entre outras coisas, o artigo apresenta alguns estudos realizados por neurocientistas sobre a influência das experiências dos primeiros anos de vida na formação da arquitetura cerebral de um individuo e os reflexos em sua vida adulta.

As descobertas não negaram a influência da herança genética, mas passaram a dar mais importância às vivências nos primeiros anos. Sabe-se agora que as experiências na infância ajudam a formar a arquitetura cerebral, com reflexos na vida adulta.

No livro “Repensando o Cérebro” (Mercado Aberto), a neurocientista Rima Shore conta que as bases para essa evolução surgiram na década de 70, quando o neurocientista Peter Huttenlcher, da Universidade de Chicago, pesquisou as sinapses do cérebro.

Huttenlcher observou que o cérebro infantil tem muito mais sinapses que o do adulto. Na barriga da mãe, o cérebro de um bebê produz o dobro de neurônios do que vai precisar: é como uma margem de segurança para seu perfeito desenvolvimento. Ao nascer, a criança tem cerca de 100 bilhões de células cerebrais. Mas a maioria dessas células tem poucas ligações feitas pelas sinapses.

Uma produção maior dessas “pontes” dependerá dos estímulos externos. Assim como acontece com os neurônios do feto, o cérebro da criança, nos primeiros anos de vida, também produz o dobro das sinapses que necessita. Aos dois anos, a quantidade dessas células nervosas é a mesma de um cérebro adulto. Aos três anos, a produção aumenta, e esse número chega a 1 quatrilhão, o dobro do encontrado, em média, em um adulto. Essa quantidade permanece estável até a puberdade. “Para ser mais eficaz, o cérebro apaga as conexões que não são muito usadas. Até os três anos, essa rede neuronial é muito densa. Ela começa então a diminuir e, na puberdade, cai dramaticamente”, explica o médico e secretário estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra.

E é aí que entra o papel dos pais e dos educadores. Os estímulos recebidos na primeira infância pelos órgãos sensoriais são fundamentais.

Isso explica por que os neurocientistas tentam tanto chamar a atenção das famílias para a interação com a criança nos primeiros anos de vida: é a chamada “janela de oportunidades”, período em que cada tipo de percepção e de competência se organiza. Gestos como fazer um carinho, falar com o bebê ou mostrar um brinquedo são o ponto de partida para uma intensa reação no cérebro… 

O artigo aborda ainda o impacto no desenvolvimento de orfãos e filhos de mães deprimidas, os reflexos negativos nas crianças quando há ausência de atenção e carinho por parte de suas mães, a falta de políticas públicas no Brasil para o atendimento de crianças de 0 a 6 anos de idade,  e a precariedade das instituições de ensino para esta faixa etária (alguns especialistas classificam as creches brasileiras como “depósitos” de crianças).

Simbiose

Como o tema educação está em alta por aqui, e ontem foi o Dia das Mães, me lembrei de um trecho da entrevista que o filósofo Michel Serres deu ao programa Roda Viva no final da década de noventa. Quando questionado sobre seu livro O Contrato Natural, que aborda a relação homem-natureza, Serres faz uma perfeita definição do que é Educação.

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De certa forma o que é a educação?

É ensinar alguém a deixar de ser parasita do outro.

Ensinar-lhe a autonomia.

Ensinar de uma forma que não tenha que pedir sempre assistência à mãe, ao pai, ao irmão, aos vizinhos.

Ele deve ser autônomo e tem de assinar um contrato com o outro.

Ele tem que dar, na medida em que recebe; tem que estar em simbiose consigo mesmo… Quem não está em simbiose é um sujeito abusivo.

Por isso, eu disse parasita. Existe um abuso.”

O que podemos fazer para evitar que nossos filhos sejam parasitas da família, da natureza e da sociedade?  

As escolas matam a criatividade?

Ken Robinson (ele é Sir, viu!) é o tipo do cara que quando fala todo mundo presta atenção. Sua palestra é recheada de questionamentos, diversão e muita sabedoria. Ele faz altas críticas à educação formal e alega que as crianças são educadas para serem bons trabalhadores e não pensadores criativos. Defende a idéia que desenvolver a criatividade nas crianças é tão importante quanto a alfabetização (vejam só!). Penso que esta palestra, apesar de antiga (TED - jun/2006), é super atual e tem tudo a ver com o que estamos debatendo por aqui.  Enjoy!

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Veja a continuação após o jump.

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O Vôo dos pássaros só pode ser encorajado!


Vou fazer um repost de outro repost do WB (sorry!) porque Rubem Alves, com suas maravilhosas palavras, resume perfeitamente o que deve ser uma escola. E como já fez um ano do primeiro repost e o assunto educação está pegando fogo por aqui, pensei:   por que não?!

Já ouvi tantas vezes que sei de cor, tanto que para mim virou poema à espera de uma oportunidade para ser declamado. Para quem ainda não ouviu, vale cada segundo. Para os demais, enjoy again!

[audio:http://www.box.net/shared/static/0ivsokuqv8.mp3] Gaiolas ou Asas?




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