Educação de processo x educação de produto

São pouco mais de 11 da noite, acabo de voltar da reunião da escola do meu filho. Eu estava com o post do Wagner na cabeça, sobre preocupações nessa área por parte dos ricos e dos pobres, e um dos temas da reunião me fez lembrar um artigo bem interessante que demos na HSM Management, uns anos atrás. Era um artigo do Peter Senge sobre os graves problemas da educação mundial. Ele falava (estou citando de cabeça, pode haver alguma imprecisão) que o mais grave, tanto nos países ricos como nos pobres, é o fato de termos uma educação que não ensina a pensar, e sim a resolver problemas específicos. Essa educação não abre os horizontes; fecha.Na reunião da Te Arte, a escola do meu filho (que é bem alternativa), estão agora fazendo aulas de Ramain, que nasceu como técnica pedagógica mas, por um desses desvios que acontecem, virou método psicoterapêutico. A idéia do Ramain é justamente privilegiar o processo em detrimento do produto, tudo a ver com o Senge. Tanto que não tem avaliação (que seria do produto), nem certo, nem errado.O professor pede que os alunos façam uma atividade manual qualquer (como dar nós num barbante com uma só mão) e nunca fala duas vezes como deve ser a atividade, regra fundamental (um dos princípios é nunca falar algo duas vezes para a criança; ou ela pegou, ou não pegou –isso faz com que desenvolva a concentração e com que valorize o que é dito). E a criança tem determinado tempo para cumprir. Umas cumprem muito rápido e ficam à toa; outras elaboram tanto que não conseguem fazer quase nó nenhum e por aí vai.O produto tem importância zero; a questão é a criança se descobrir e conhecer/ajustar melhor seus processos e possibilidades no exercício (na vida?).Mas não no mesmo exercício: nunca se repete um exercício –o lema é esse trem já passou (ou seja, como eu entendo, você tem de estar inteiro nas coisas que faz ou dança mesmo).  A escola está resgatando o método no aspecto pedagógico porque sua fundadora estudou com a própria Françoise Ramain e, por isso, recebeu autorização para fazê-lo. Tudo isso faz pensar, não? Talvez Senge tenha razão sobre o principal problema.

2 Respostas para “Educação de processo x educação de produto”


  1. Icone Gravatar 1 Wagner Brenner

    Viva os processos! Abaixo os produtos!

  2. Icone Gravatar 2 camila

    matéria

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