Provavelmente porque minha mulher é argentina e lá as babás são menos comuns que aqui, ela sempre me chamou atenção para o fato das famílias brasileiras carregarem babás para cima e para baixo. Confesso que eu estava tão acostumado a ve-las numa cadeira extra em restaurante, em playgrounds, no clube, em hotéis, que talvez eu nem tivesse estranhado. Em festas de crianças, é comum ver as infalíveis mulheres de branco, que excedem em muito a quantidade de mães. Claro que, na sociedade moderna, não é fácil para o casal cuidar sozinho dos filhos. Mas deve ter um limite, não? Quem levanta a questão é o ex-reitor da Unicamp, José Martins Filho, médico pediatra em seu livro “A Criança Terceirizada - Os descaminhos das relações familiares no mundo contemporâneo”. Ele fala sobre o fato de, muitas vezes, a família valer-se da babá não apenas quando estão trabalhando, mas também nos momentos de lazer, quando a idéia é exatamente ficar com os filhos. Outro fato curioso é que ele, como pediatra com muitos anos de experiência, se dá conta que cada vez é mais raro que as mães levem seus próprios filhos para consultas, deixando essa tarefa também para as babás. Triste. Se o assunto interessa, compre o livro aqui, ou leia seu artigo na Claudia Bebê.
4 Respostas para “Crianças Terceirizadas”
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q bom q vc apareceu no coruja, Neto !!
; )bjs,
paula -
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Durante mais de 10 anos eu tive uma escola de música, que possuía várias turmas de musicalização infantil. Era comum que mães amigas deixassem os filhos na aula e saissem para tomar um cafezinho. Mas havia uma turma em especial que era um terror: as mães saiam juntas para fazer compras e simplesmente voltavam hiper-atrasadas para pegar as crianças (que, àquela altura, já haviam destruido a escola inteira). Elas encaravam a escola (que era de música e não tinha a estrutura de um berçario ou pré-escola) como um cabide para pendurar os filhos. Conversei com elas, que ficaram envergonhadas e tentaram ter mais maturidade, mas não teve jeito: sua vocação era mesmo a de peruas e não de mães, e aquela classe se desfez rapidinho.
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Essa história de terceirização vem me preocupando muito -meu filho tem babá. Eu tento estar sempre presente, mas sempre acho que é menos do que eu deveria estar. Anyway, tem um filósofo, o André Gorz, que diz que estamos terceirizando nossa “humanidade” (e assim perdendo-a) ao não cuidar diretamente dos filhos, da casa (limpeza, consertos), do jardim etc. É pra se pensar.
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Parece que largar o filho por aí na mão de outra pessoa em troca de sossego é infelizmente cada vez mais comum. Os pequenos são despejados em escolas, academias, casas de amiguinhos e colos de babás. Terceirização da própria educação. Nem me fale, fico puto. Fora os bebês que vem a esse mundo para segurar casamentos e garantir pensões milionárias.

